30 de novembro de 2009


Por vezes, no conforto da minha casa, no meio dos livros e do estudo, no meio de tanta matéria acumulada e por acumular, vem-me á cabeça momentos que marcaram a minha vida, sinto-me de tal maneira nostálgica que vejo-me a ser bombardeada de recordação, de saudades, de vez enquanto lá cai uma lágrima, alternada de risos silenciosos. Contudo, quando volto á terra, vêm-me uma grande dor por saber que perdi muitas das coisas que me faziam feliz, porque simplesmente fui egóista, ou então demasiado imatura. E é aí que ganho tanta raiva de mim, raiva de ser tão parva, e simultâneamente pergunto aos céus porque me deixaram fazer tanta barbaridade, e porque é que não me perdoam todos os erros e me deixam ter uma "Vida". Eis que de repente vem um friozinho que me arrepia o corpo, e me vai percorrendo da ponta dos pés á ponta dos cabelos que aos poucos vão ganhando electricidade, e como por magia levantam-se todos parecendo uma rabanada de vento. Por momentos achei-me invadida, e senti-me esclarecida. Custou, mas felizmente percebi que a vida é mesmo assim feita de altos e baixos, feita de ocasiões mais felizes que outras, que hoje podemos ter tudo porém com um simples estalar de dedos vemos a nossa vida nas ruínas, como estando a um passo do abismo e uma força nos puxa para trás com uma valente força não nos deixando cair. É desse brilho, é dessa força que eu queria falar hoje, cada um de nós tem um brilho na vida, cada um de nós orienta a vida em função de qualquer coisa. O meu brilho são os amigos, algo que felizmente se multiplica ao passar do tempo, algo que quanto mais velho mais forte fica, é como se repartíssemos a nossa dor por cada um, e o nosso vazio no coração fosse ficando cada vez mais pequeno, tal e qual uma ferida que desinfectada todos os dias apesar da marca que deixa, a dor vai passando levemente. A amizade assim como a vida, pode ser comparada á nossa infância, na qual passamos o tempo a cair e a levantar, insistir, até conseguir pousar o pé firme no chão e dizer: Eu falei que ia conseguir!





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